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sexta-feira, junho 22, 2012

o parto

quinta-feira dia 10, foi dia de consulta e ctg.
Colo do útero optimo, permiável a 3 dedos. 
-Assim que sentir as contrações vá logo para o hospital que isto vai ser rápido. Diz-nos o médico.
Ainda passei no escritório, esperei pelo marido para virmos juntos para casa, fui buscar o filho a casa dos meus pais e fiz o jantar.
Foi precisamente quando estava a fazer o jantar que as contrações começaram. Mas como tinha sido um dia bastante cansativo, pensei que fosse cansaço e que se me deitasse no sofá elas passariam.
Dei o jantar ao filhote, jantei como se não houvesse amanha. Estava com um apetite feroz nessa noite e ainda por cima o jantar era um dos meu pratos favoritos, Açorda.
Depois do jantar deitei-me do sofá a ver se as contrações acalmavam.
O Marido foi deitar o filhote e adormeceu na cama com ele.
Eu fui controlando o tempo entre contrações que teimavam em não acalmar e à meia noite achei que não podia esperar mais,  tinha chegado a "Hora". 
Fui acordar o marido.
- Temos de ir para a maternidade
- AGORA? Não me apetecia nada...~
(pois eu tb perferia ir dormir, mas não vai dar)
Telefonei à minha mãe para ela ficar em minha casa com o filhote que dormia profundamente e lá fomos.
A viagem de carro fez-se a 50 Km hora.... tão devagar que iamos, (já do outro filho foi igual). Ele ia controlando o tempo das minhas contrações e nos intervalos iamos conversando.
Cheguei à MAC e inscrevi-me. Perguntaram-me se os dados ainda se mantinham todos. Verifiquei que a morada ainda era a antiga, e resolvi mudar de morada naquela hora... (é que nem tinha contrações nem nada...LOL). Recebi um cartão novo e sentei-me à espera que me chamassem.
Eram 1h01m da manha, já de dia 11, quando ouvi o meu nome ser chamado para a triagem. Lá fui, pelo meu pé, observaram-me, chamaram o marido e mandaram-me despir e vestir a famosa bata.
Nessa noite nasceram 30 bebés na maternidade... pelo que quando cheguei ao meu quarto estavam a acabar de o limpar.
Deitei-me na cama e ligaram-me às "máquinas" e lá fiquei sozinha. Minutos mais tarde, chegou  uma enfermeira que me pergunta se quero epidural. Digo que sim. Ela coloca-me a soro e vai ver o meu processo. Entretanto a porta do meu quarto tinha ficado aberta, e começou a ouvir uma futura mãe aflita aos gritos...eu não suporto ouvir as pessoas a gritar, aflige.me. Diz a enfermeira: 
-Tenho de ir fazer aquele parto que o bebé vai nascer
- Olhe então vá lá que eu aguento aqui sozinha. (digo logo eu)
- Pois estou a ver que você aguenta muito bem. Deixe.me só observa-la para ver se ainda pode levar a epidural.
E naquele instante, veio uma contração.
- Deixe só passar esta contração... 
Mas a contração nao passava e a enfermeira queria observar-me na mesma... e quando me consegue observar, diz:
- Ai querida, que ele vai nascer já.
Senti uma arrastadeira debaixo de mim e as águas rebentaram naquele momento e eu a sentir aquela enorme vontade de fazer força  e a enfermeira e dizer
-NÃO FAZ FORÇA. OLHE QUE ELE NASCE DENTRO DA ARRASTADEIRA
Ia dizendo isto enquanto se preparava à pressa para me fazer o parto... não havia nada preparado para o parto.
Ela gritou por ajuda e uma auxiliar entrou, eu entre uma e outra respiração para não fazer força consigo dizer que o meu marido não está ali. Alguém corre a chama-lo. Quando dou por isso já ele estava a meu lado e já  outra enfermeira tinha vindo em auxilio da que estava comigo e conseguiu colocar-lhe as luvas estrelizadas. Finalmente dizem que posso fazer força.
Faço força e sai a cabeça e nova força e sai o resto.
O meu filho é colocado em cima de mim, e o pai corta o cordão.
Ouço uma das enfermeiras, alguém viu as horas? responde outra, olha pode ser 1h45m.
Depois do parto é que prepararam tudo o que devia ser preparado antes do parto. 
Tive direito a 3 pontinhos (que até hoje não dei por eles).
Em tom de brincadeira lá digo à enfermeira "Mais uma vez sem epidural", diz-me ela "se quiser podemos dar-lhe uma agora, quer"
Mais risota.
Finalmente o pai sai com o bebé para pesar.
Entra novamente a enfermeira no quarto e diz, 3,410. E eu nem reajo.
"está a ouvir mamã? 3, 410 Kg"
"O meu filho? não pode ser, deve ser outro bebé"
"é o seu, estou a dizer-lhe...."
"não pode ser " (o irmão nasceu com 2,690 Kg e eu estava à espera de algo parecido)
"se quiser eu tiro-lhe aqui um quilinho, quer?"

Finalmente veio pai e filho ter comigo novamente. O rapaz agarrou-me a mama e começou a mamar cheio de força. Tão diferente do irmão.... Mas fisicamente tão igual.... tão lindo.

E ali fiquei e babar-me com a nova "cria" linda de morrer. (e a pensar que secalhar eu fui feita para parir... 44 minutos? sem epidural novamente? e com 3 pontinhos?... do primeiro filho 2 horas, nada de epidural e nada de pontos.....secalhar fui mesmo feita para isto)


Agora vou ali babar-me com o mais novo que está na hora da mamada.

segunda-feira, junho 29, 2009

o parto

Tive consulta no dia 9, onde fiz o primeiro toque e ctg.
Do toque, resultado: Colo do útero maduro, permeavel a dois dedos.
O médico:
"Marcamos novo ctg para a próxima semana, mas já não chega lá..."
(what???)
Nesse dia começei a perder o rolhão mucoso.
No dia seguinte começaram as contrações, mas muito espaçadas no tempo e nada dolorosas.
Na sexta acordei ás 7h da manhã com uma contração. E desde aí que elas vinham com menos intervalo de tempo. 7 em 7 minutos, 4 em 4, 7 em 7, 10... nada de um espaço de tempo fixo...
Como estava de férias, aproveitei para descansar. Dormi uma sesta (de vez em quando acordava com uma contração, mas voltava a adormecer).
O marido tinha ido trabalhar e de vez em quando falavamos no msn...
Estavamos calmos. Tinhamos a noção que iria demorar muito tempo e que eu devia descansar, pois iria necessitar de muitas forças no fim.
O Marido chegou a casa e ainda foi dar explicações (estavamos em época de exames) e eu fiquei a suportar as dores das contrações de cócoras no chão da sala ou no sofá do quarto do D., ou agarrada à bancada da cozinha. As contrações começavam a apertar, mas tudo muito suportável.
O marido terminou as explicações e foi tomar banho e fazer a barba. E ainda jantamos em casa.
Finalmente saímos para a maternidade.
Calmos e serenos, no momento das contrações ele controlava a duração e o intrevalo. Estavamos com contrações de 4 em 4 minutos que duravam 40 e tal segundos, 1 minuto.
Noite de Sto António, pensei que o trânsito estivesse infernal, mas não. Tudo estava tranquilo, até nós.
Estacionamos mesmo à porta da maternidade e as urgências não tinha muitas pessoas.
Inscrevi-me nas urgências e sentei-me na sala de espera, e esperamos...
Esperamos uns 10 minutos até me chamarem à triagem.
Expliquei q estava de 38 semanas e estava com contrações. Ele ao olhar para mim e para a minha cara não acreditou muito e disse: "vamos fazer um ctg"
Mas neste instante veio uma contração e eu pedi só para esperar um bocadinho...
Ele ao olhar para mim diz: "uhh antes do ctg, deite-se aqui"
E eu deitei-me, ele ao fazer-me o toque ri-se e diz:
"que grande trabalho de casa que você fez! pode despir-se, coloque a roupa dentro deste saco"
Começa a chamar outra enfermeira todo contente e diz-lhe: "esta menina vai ficar internada e já está avançada"
"Avançada? quanto?" pergunta a enfermeira
"5 para 6 dedos"
Eu fiquei pasma!!! (no carro dizia para o marido, agora chegamos lá, só tenho um dedo e ainda me vão mandar andar ás voltas)
Perguntam se vou fazer recolha de células estaminais, digo que sim e que o kit está com o marido lá fora.
Chamam o marido à sala da triagem e começamos a tratar da papelada para o internamento.
Estava um ambiente fantástico, tudo a rir e a preencher papeis. E eu dizia, olha nasce no Sto António... e o Enfermeiro "O querida, este não chega ao Sto António" (eram 22h)
Nem tive direito ao clister nem à depilação total, fui logo encaminhada (leia-se fui à pé) para o meu quarto.
Já no quarto ligada ao ctg, novo toque, desta vez as águas rebentam e 7 dedos...
A enfermeira "quer epidural?"
"Eu quero"
"quer? para quê? você está tão bem, a aguentar-se tão bem, nem parece que está prester a ter um bebé"
"Mas eu sei lá se isto não piora"
O Marido entra no quarto
A enfermeira pergunta "Você não tem vontade de fazer força?"
"Tenho" (lá se foi a epidural)
"Pronto!... está na hora, pode fazer força!"
No momento da explusão viram que o D. em vez de ter o queixo encostado ao peito (posição para nascer) estava com a cabeça "a-olhar-para-a-lua"
Vieram 3 médicas e a enfermeira parteira que nunca me largou. Todas a decidir se conseguiam colocar a cabeça na posição correcta para passar.
entre as contrações fui recebendo instruções e numa delas a médica diz-me:
"Olhe mãe, tem de me prometer uma coisa, para o próximo filho, tem de escolher um pai mais pequeno" Ainda rimos...
As médicas pegaram numa ventosa e ajudaram o D. a posicionar a cabeça e a sair.
E ás 23h26m do dia 12, o D. Nasceu.
Colocaram-no em cima de mim, mas eu nem dei por isso, só quando o tiraram é que reparei que já não estava em cima de mim... seguiu com o pai para a pesagem e consulta com o pediatra. (indice Apgar 9 ao 1º minuto e 10 ao 5º minuto, 2690kg, 47 cm).
Com tantas mãos dentro de mim pensei "devo estar toda rasgada"
A médica que esteve sempre comigo, ao ajudar-me a expulsar a placenta diz-me:
"olhe mãe, não foi necessário cortar nada, e só rasgou um bocadinho por dentro, por isso vou só dar-lhe 3 pontos internos"
Eu nem queria acreditar...
Depois de cozida, lá veio o pai com ele e foi mamar antes de subirmos para o quarto.
E ficamos os 3. E nós os dois a contemplar aquele ser lindo de morrer e a tentar perceber como foi possível fazê-lo assim tão lindo e perfeito.

(Durante a nossa curta estadia nas urgências tinhamos sempre enfermeiros e médicos a entrar e sair na nossa sala para ver o caso raro que mal tinha acabado de chegar à maternidade já estava pronta a parir. Foi engraçado, num ambiente super descontraído onde TODO o pessoal por quem fui tratada foi espetacular.)

Eu já disse que o meu filho é LINDO?