sexta-feira, junho 07, 2013

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A minha vida está rodeada do "bicho" que mata.
Os meus bisavós, pais do meu avô paterno, ambos morreram com o "bicho". O meu avó paterno também teve o "bicho", felizmente venceu-o. A minha avó paterna, não conseguiu vencer o "bicho".
A irmã da minha avó materna teve cancro na mama (este é dos que mais me assusta), felizmente venceu-o. A minha própria mãe, teve cancro da tiroide e felizmente também o venceu.
Isto tudo para dizer que eu tenho uma certeza, ou melhor uma desconfiança... tendo em conta que em muitos casos este bicho é herditário, as minhas probabilidades de o vir a conhecer na pele são elevadissimas. E pronto, é um facto e encaro-o com alguma normalidade, talvez por tambem olhar para a minha familia e ver que mesmo com o bicho, na generalidade quando alguém desaparece, desaparece já com muita idade. Penso muitas vezes, se ele me aparecer, vai aparecer quando for velhinha...

A minha naturalidade nos pensamentos pára, quando penso que se eu "herdei" este bicho, o meu pai também herdou e a minha irmã e os meu filhos... e quando chega aos filhos, eu juro que sinto o meu coração parar mesmo...Ver (ou ler) os acontecimentos dos últimos dias, fez-me pensar mais no assunto. Custa muito ver um pai ou uma mãe partir (felizmente não sei o que isso é), mas é a lei natural da vida, mas ver um filho partir.... não, não é natural, nada, aliás é anti-natura. Estas situações nunca deviam acontecer.

Ver as notícas sobre o Rodrigo, os videos, as fotos, o facebook, deram-me um murro no estomago, como se de repente percebesse que não consigo proteger os meus filhos de tudo.(E infelizmente há muitos Rodrigos espalhados pelos hospitais) Mas não é esse o papel de uma mãe, proteger um filho? e como pode uma mãe proteger um filho deste bicho que mata? como?
Já ouvi alguém dizer, eu matava-me... mas como poderia fazer tal coisa? E os filhos que ficavam cá? Qual é o plano afinal? como se sobrevive a esta dor? Como se acorda no dia seguinte? E no outro? E como se lidam com as memorias, e as recordações? Meu Deus, como é que isto é possível?

Tenho muitos dias em que as birras e os gritos e o mau comportamento, dão-me volta à cabeça e me cegam, mas depois vejo estes casos e só peço que as birras e os gritos e os maus comportamentos continuem, porque é sinal que eles estam a crescer e a criar as suas próprias identidades e cheios de força e de saúde... saúde.

Ontem abracei os meus filhos com mais força e agradeci! Sou feliz, não há maior riqueza e felicidade que ver os filhos felizes e cheios de saúde.

Qual euro-milhões, qual quê, eu quero é saúde para os meus filhos, e para toda a minha familia. Isso sim é riqueza.

1 comentário:

Carla Isabel disse...

Podes crer!
Beijinho doce, olha e mantém o pensamento positivo.